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09 março 2006 

Captar energia em alto mar

O litoral Norte e Centro poderá vir a receber uma central de aproveitamento da energia das ondas. O projecto está ainda em fase embrionária de estudo e faz parte de uma candidatura ao Programa Operacional da Economia. O local concreto para a instalação não está definido.

Eduarda Vasconcelos

Uma experiência-piloto de aproveitamento da energia das ondas no litoral Norte e Centro do País vai ser estudada por um conjunto de entidades com vista à potenciação da produção de electricidade de uma forma alternativa. Ricardo Magalhães, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) avançou ao JANEIRO que o projecto é, porém, ainda “embrionário” e que faz parte de uma candidatura apresentada ao Programa Operacional da Economia.
A ideia nasce através do professor do Instituto Superior Técnico, António Sarmento, estando o projecto a ser coordenado do ponto-de-vista operacional pelo INESC (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores). Ricardo Magalhães frisou que a estrutura, que permitirá criar as condições para aproveitar o potencial do mar em matéria de energias renováveis, será para instalar em alto mar, a várias milhas da costa. Envolvidos no plano estão também a CCDR do Centro e o IMAR (Instituto do Mar).
Portugal é um dos países com melhores condições para o aproveitamento da energia das ondas e tem estado, de facto, na vanguarda da investigação e experimentação destas tecnologias. O nosso país começou a trabalhar neste tipo de projectos em meados dos anos 70 e é mesmo considerado como pioneiro. A central de ondas na ilha do Pico, nos Açores, entrou em funcionamento em finais de 99 e foi a primeira unidade-piloto a nível mundial a estar ligada à rede eléctrica de forma permanente e com uma potência de 400 quilowats.
O esforço financeiro foi suportado por um consórcio e contou com fundos da Comissão Europeia. Um outro dos projectos em curso para produção de energia das ondas é o da Póvoa do Varzim que pertence a uma empresa holandesa que ali instalou uma central AWS em alto mar.

Central nos molhes do Douro
Outro dos projectos de aproveitamento da electricidade gerada pelas ondas, mas desta vez com a assinatura de empresas portuguesas, deverá arrancar na foz do Douro, a propósito da construção que está a decorrer dos novos molhes. A experiência resulta de um protocolo entre o Governo, o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, a EDP e a Consulmar. Envolve a construção de uma central no molhe norte da barra e os estudos para a sua implementação, orçados em 200 mil euros, estão a decorrer. A infra-estrutura propriamente dita deverá implicar um investimento de 2,8 milhões de euros, tendo o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, afirmado já que tal não constituiria problema: “Se estes projectos revelarem viabilidade têm sempre financiamento garantido”, assegurou. O governante referiu ainda que a tecnologia pode vir a ser aplicada noutros portos. O projecto vai ao encontro das metas do Governo, dado Portugal pretender cumprir até 2010 a quota de 39 por cento de energias renováveis. O aproveitamento da energia das ondas juntar-se-á, assim, às mini-hídricas e aos parques geradores eólicos.
Os responsáveis estimam que a central na foz do Douro possa gerar, ao fim do primeiro ano de funcionamento, 1,2 milhões de quilowats/hora de energia, o suficiente para distribuir electricidade por cerca de 600 lares.

http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=eccbc87e4b5ce2fe28308fd9f2a7baf3&subsec=&id=ff54dc65ac15da1b622e362fe97e4c84

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