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10 março 2006 

A factura da energia

por Elisa Ferreira, eurodeputada

Quando o preço do petróleo aumenta, a economia mundial estremece. Assim acontece ciclicamente desde os anos setenta até hoje. Naqueles tempos, porém, a alta de preços estava sobretudo associada a estratégias dos países produtores, as quais eram geridas de forma relativamente controlada. A situação actual é distinta a influência sobre o preço do "crude" decorre de factores menos conjunturais - do crescimento de economias gigantes, como a China, à instabilidade continuada no Médio Oriente, das tensões agravadas no relacionamento com os países árabes a riscos múltiplos, como os recentemente observados a propósito das negociações entre a Rússia e a Ucrânia sobre a factura do gás - e justifica uma preocupação renovada por parte das áreas económicas estruturalmente dependentes da importação de energia.

Apesar dos compromissos europeus em relação ao controle da poluição atmosférica no quadro do protocolo de Quioto, não há dúvida de que, no contexto actual, a consciencialização dos riscos políticos e económicos de tal dependência não só confere uma acrescida visibilidade política mas também, e sobretudo, uma nova viabilidade económica às políticas energéticas alternativas. Este será talvez o lado mais positivo da alta do petróleo de súbito, quer a opção por energias alternativas, de preferência menos poluentes, quer acções concretas de poupança energética saltaram do espaço dos discursos bem intencionados para a área das políticas "levadas a sério"; novas opções de política vão assim surgindo e grandes interesses económicos começam a mover-se.

Na União Europeia, refazem-se as projecções e chega-se à preocupante conclusão de que, a manterem-se as tendências actuais, a dependência de energia importada atingirá 70% do consumo total em 2030 (contra os 50% actuais), com níveis de dependência de 90% e 80%, respectivamente, em relação ao petróleo e ao gás. Refira-se ainda que Portugal apresenta uma dependência bastante superior à europeia, continuando a crescer mais no consumo energético do que na produção de riqueza e representando já a factura energética mais de um terço do nosso défice comercial.

Também aqui há, a meu ver, um lado positivo, e de carácter duplo por um lado, a margem de progresso em Portugal é enorme, quer em termos de energias alternativas, dadas as nossas características naturais, quer em termos de poupança potencial; por outro lado, a coincidência entre interesse nacional e europeu permite que Portugal possa eventualmente beneficiar de impulsos especiais, como sejam os de uma participação activa nas iniciativas de aumento do conhecimento, investigação e inovação abertas pela prioridade política conferida ao tema pela Comissão Europeia.

Não sendo todas as energias alternativas igualmente interessantes - a opção pelo nuclear, em particular, requer uma análise muito cuidada -, é inquestionável o interesse das estratégias de poupança, até porque elas mexem cada vez mais no bolso de cada um. Não obstante, apesar de as queixas sobre o exagero das contas de energia serem generalizadas, quando recentemente fui relatora de um parecer sobre a questão no Parlamento Europeu, mal podia crer ao constatar que o inquérito europeu sobre o tema mostrava os portugueses figurando como os que menos valorizam o consumo energético quando escolhem uma casa ou um meio de transporte! E, no entanto, o sector dos transportes contribui com quase 40% para o consumo energético nacional, ao mesmo tempo que uma gestão cuidada da energia doméstica (incluindo painéis solares) poderia reduzir a factura de gás para metade...

Perante o que parece uma oportunidade de ouro, estarão os nossos construtores e arquitectos em condições de nos informar convenientemente sobre essas vantagens? Estará o Estado capacitado para avaliar e intervir em termos de conforto e poupança de energia em todos os edifícios públicos, das escolas aos tribunais? Estarão os sistemas de transportes colectivos sensibilizados para a questão?

Urge que colectivamente compreendamos o alcance do que está em jogo e lhe demos a devida expressão, tanto mais que esta poderá também ser mais uma das opções estratégicas que, nas suas várias vertentes, o próximo apoio da União Europeia para 2007/13 poderá ajudar a consolidar.

Elisa Ferreira escreve no JN, semanalmente, aos domingos.

http://jn.sapo.pt/2006/03/05/opiniao/a_factura_energia.html

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