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13 março 2006 

Primeira "Geografia de Portugal" em 50 anos

Território: especialistas voltam-se para as mudanças e dão atenção ao planeamento e ordenamento

Paulo Miguel Madeira

A primeira Geografia de Portugal do século XXI, que é também a primeira grande obra portuguesa deste tipo, dá uma atenção central às mudanças na ocupação e utilização do território, contrastando com a perspectiva tradicional, que privilegiava a identificação dos quadros mais estáveis do que permanecia para além da mudança.

Foi Carlos Alberto Medeiros, catedrático de Geografia que dirigiu esta obra em quatro volumes (cujo último volume o Círculo de Leitores deverá lançar em Maio), quem sublinhou este aspecto numa conferência esta tarde na Academia de Ciências de Lisboa, subordinada ao tema "Geografia de Portugal: Das Tentativas Iniciais à Obra Colectiva de 2005-06".

E explicou que os autores se confrontaram com uma realidade diferente, e sobretudo com uma realidade em que a mutação é uma componente central, face ao que acontecia em obras anteriores deste tipo. Exemplificou com o alargamento a leste da União Europeia e com a intensificação das relações com os países europeus, "que podem desviar o país da sua tradicional relação com as margens atlânticas".

Outro aspecto que se pode considerar revolucionário no âmbito da geografia portuguesa é o facto de o Planeamento e Ordenamento do Território assumir grande importância no conjunto de temas desenvolvidos, ocupando todo o quarto volume, coordenado pelo catedrático Jorge Gaspar e por José Manuel Simões. Esta opção está ligada à "crescente presença dos geógrafos nos estudos de planeamento e ordenamento do território", explicou o director da obra.

Por outro lado, o estudo das águas oceânicas, no primeiro volume (O Ambiente Físico, coordenado pelo catedrático António de Brum Ferreira, especialista em geografia física) é "o aspecto mais original e inovador" do trabalho. "Os mares deixaram de constituir para os geógrafos a monótona mancha azul que se vê nos mapas", disse com humor Carlos Alberto Medeiros.

No segundo volume (Sociedade, Paisagens e Cidades, coordenado por Teresa Barata Salgueiro e por João Ferrão), há um capítulo dedicado às migrações onde são abordados alguns assuntos na fronteira da sociologia, mas os três restantes dedicam-se às cidades, cujo crescimento recente é um dos aspectos mais importantes da geografia do país.

Porquê só agora?
É também "a primeira obra do género que se publica em Portugal", um trabalho vasto e ambicioso reunido um largo conjunto de autores – 29 geógrafos investigadores – e a primeira que se faz desde meados do século passado, mas com bastante mais fôlego que as obras pioneiras. "É uma obra de conjunto dos geógrafos portugueses", disse.

Carlos Alberto Medeiros (que coordenou o terceiro volume, Actividades Económicas e Espaço Geográfico) justificou esta demora com "a lenta e difícil afirmação da Geografia na universidade do nosso país". A primeira cadeira de geografia data de 1901, mas só em 1957 surgiu uma licenciatura em Geografia centrada num núcleo de cadeiras próprias.

Neste contexto, para além de algumas obras de síntese da geografia do país (por vezes por autores estrangeiros), a primeira Geografia de Portugal é de um autor alemão, Herman Lautensach, que em 1932 e em 1937 publica em alemão, respectivamente, um volume dedicado ao conjunto do país e outro às suas regiões. Só ao fim de mais de meio século foi traduzida.

Depois, Amorim Girão, professor em Coimbra, publica a sua Geografia de Portugal em 1941, "desenvolvida e profusamente ilustrada", lembrou Carlos Alberto Medeiros. E em 1945 Orlando Ribeiro publica Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, uma "síntese notável" que durante décadas foi a principal referência nas escolas portuguesas.

É ainda Orlando Ribeiro quem em 1955 publica, em castelhano, uma Geografía de Portugal, que é o Tomo V da Geografía de España y Portugal dirigida por Manuel de Terán. Desde então, apenas a Geografia de Portugal em quatro volumes, que em 1987 foi lançada com a direcção de Suzanne Daveau, que utilizou e actualizou os trabalhos de Lautensach e Orlando Ribeiro.

Assim, a Geografia de Portugal que o Círculo de Leitores está a publicar acaba por ser uma "obra pioneira no seu género", segundo o seu director. Que lembrou a intenção de Orlando Ribeiro de fazer uma obra deste tipo, para a qual chegou a fazer um plano, em 1975, mas que acabou por não desenvolver.

Carlos Alberto Medeiros realçou que esta não é uma obra de divulgação, destinando-se em primeiro lugar aos geógrafos e outros especialistas que lidam com estes assuntos. Mas disse também que se destina a um público muito mais vasto, que não prescinda do rigor científico.

09.03.2006 - 19h04 PUBLICO.PT

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