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02 maio 2006 

Vamos ficar de fora da energia eólica a sério

PORTUGAL não tem condições geográficas para acompanhar a evolução que a produção eléctrica terá no segmento dos parques eólicos. Em termos objectivos, o grande salto qualitativo que os aerogeradores vão dar será feito nos parques «off-shore». A este nível, a costa portuguesa tem profundidades muito superiores às necessárias e vento muito inferior ao exigido para estes novos parques eólicos.

Enquanto, a curto prazo, a electricidade produzida por cada aerogerador instalado em terra evoluirá de potências máximas de 1000 e 2000 kilowatts, para níveis próximos dos 3500 kilowatts, já a evolução das máquinas destinadas aos «off-shore» passará dos 5000 para 6000 ou 7000 kilowatts, sendo plausível que, no horizonte de 10 anos, a produção unitária possa atingir os 10.000 kilowatts.

Matthias Schubert, administrador-executivo do fabricante luso-franco-alemão REpower (de que a Martifer é accionista), com o pelouro da tecnologia (CTO), admite que a grande aposta desta indústria nas potências eléctricas elevadas é exclusivamente destinada aos parques «off-shore», onde Portugal não é competitivo.

A Norte da Alemanha, na localidade de Brunsbüttel, perto de Hamburgo, a REpower já tem em operação o seu primeiro aerogerador de 5000 kilowatts, cujo rotor é montado no topo de uma torre com mais de 120 metros de altura.

As suas pás varrem uma área equivalente a dois campos de futebol. Ora, dois «moinhos» semelhantes a esse vão ser instalados no mar escocês, a 25 km da costa. Se estas máquinas provarem a fiabilidade garantida, a REpower montará um parque «off-shore» com 200 aerogeradores deste tipo e uma potência total instalada de 1.000.000 de kilowatts (1 GW).

Curiosamente, esta capacidade ultrapassa a da central nuclear de Brunsbüttel, localizada mesmo ao lado do aerogerador de 5000 kilowatts. Esta central nuclear data de 1970, produz 806.000 kilowatts e deverá ser desactivada em breve. Isto quer dizer que a energia eólica já tem uma capacidade de produção equiparada à das centrais nucleares de primeira geração. E até 2010 deverá evoluir para níveis bastante superiores. No fim da próxima década ultrapassará esta fasquia. No entanto, Portugal não constará no «ranking» dos grandes produtores com moinhos eléctricos.

Por: J.F. Palma-Ferreira, Expresso

É certo que que a nossa costa não serve para parques offshore mas isso não invalida a instalação de parques em terra. Lá por não podermos acompanhar as "modas" não vejo qual o problema. Por outro lado a energia eólica não é a única saida para diminuir a dependencia energética.

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