14 março 2006 

Barragens são risco para estuários

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) anunciou, ontem, que só um terço dos 177 rios com mais de mil quilómetros conserva uma foz marítima e advertiu que um quarto destes poderá perdê-la nos próximos 15 anos.

Um relatório da WWF, organização ecologista com sede em Gland (Suíça), defende que são cada vez mais os rios que perdem a sua foz marítima, fundamentalmente devido aos entraves que representam para os seus leitos as barragens e outras construções humanas.

Só 64 dos 177 grandes rios usufruem actualmente de um caudal livre, sem barragens nem outros impedimentos artificiais que dificultam a chegada à foz. A maior parte deles situa-se na Ásia e no Norte e Sul do continente americano, enquanto na Austrália/Pacífico só restam três e a Europa tem apenas um, o Pechora, na Rússia. No entender do WWF, essa tendência "é inquietante" e representa "uma ameaça" para o abastecimento de água potável, para os serviços de saneamento, para a agricultura, para a sobrevivência dos peixes e para a indústria pesqueira.

As barragens, explica o relatório, "podem reduzir o número de peixes nos rios, o que afecta directamente a produtividade da indústria pesqueira". Cita vários exemplos de espécies ameaçadas pelas barreiras existentes ao longo dos rios. Os caudais livres também regulam os níveis de contaminação e de sedimentação, necessários para a contenção das zonas costeiras. Dá como exemplo as inundações de Nova Orleães, nos EUA, pelas águas do Mississipi, depois do furacão Katrina.

A organização defende que deve ser estudado detalhadamente o impacto negativo que as barragens podem ter no meio ambiente e procurar minimizá-lo ao máximo.

http://jn.sapo.pt/2006/03/13/sociedade_e_vida/barragens_risco_para_estuarios.html

13 março 2006 

Fafe: Junta propõe central para transformar lixo em energia

Autarca apresentou projecto de construção de estação de biomassa para queimar resíduos sólidos dos municípios da AMAVE. Oposição e população estão satisfeitos com a ideia

Lisa Soares

A Junta de Freguesia de Fafe enviou ao Governo e à Câmara Municipal uma proposta para a criação no concelho de uma central de biomassa, que funcionaria aproveitando os resíduos sólidos e urbanos do Vale do Ave. Com a inevitabilidade da construção do aterro sanitário consagrado num acordo estabelecido no âmbito da AMAVE (Associação de Municípios do Vale do Ave) na zona limítrofe das freguesias de Armil e Cepães, a Junta lançou o repto.

"Entendemos que, onde há um aterro, há um pomo de poluição atmosférica e essa ideia é para defender o ambiente das partículas que são libertadas das queimas de resíduos e, também, da libertação de cheiros nauseabundos", explanou José Mário Silva. O presidente da Junta de Freguesia entende que "entre uma coisa e outra, é preferível ter o aproveitamento do lixo em energia eléctrica", e daí defender a instalação no concelho de uma central de biomassa.

"Julgo que é mais perigoso não fazer nada do que tentar reduzir o impacto ambiental que as lixeiras provocam. Com a queima numa central de biomassa, os filtros de manga conseguem reduzir ao mínimo o impacto ambiental". Quanto à localização, o autarca pensa que o local onde está previsto instalar o aterro não será o melhor para a central.

"Poderá não ser em Armil, porque julgo que deverá ser colocada num local ermo que não atinja as populações", e adiantou ainda que Fafe poderá aproveitar a instalação de uma estrutura daquele tipo para "ser uma referência na rota das energias renováveis, porque já cá existe um parque eólico, poderá transformar-se a central eléctrica de Santa Rita numa mini-hídrica, e abundam no concelho painéis solares. "Com este tipo de equipamentos, José Mário Silva sonha que Fafe se possa tornar um local de passagem obrigatório para um "tipo de turismo estudantil, de ciência, que poderá ser uma mais-valia para o concelho".

O autarca pensa que, assim, "diminuirá a dependência energética do exterior, aproveitando a central para produzir biogás". Ainda na vertente económica, José Mário Silva vê o projecto como uma forma de poupar dinheiro, uma vez que a Câmara ia poupar ao não ter necessidade de transportar o lixo para o aterro de Boticas, como acontece actualmente.

A ideia que o presidente da Junta considera "exequível" e reveladora de "coragem" foi bem recebida pela oposição. O social-democrata Luís Silva, que tem assento na Assembleia de Freguesia, considera "uma acção positiva".

http://jn.sapo.pt/2006/03/11/minho/junta_propoe_central_para_transforma.html

 

Viana do Castelo: Elevador a funcionar em Maio após paragem de cinco anos

Recuperação de equipamento inaugurado em 1923 custou 2,5 milhões de euros. Funicular, que possibilitará o transporte de bicicletas, será integrado em ciclovia

Investimento contempla a substituição das carruagensLuís Henrique OliveiraEncerrado há cinco anos, o Elevador de Santa Luzia deverá estar em condições de retomar a actividade em Maio, após conclusão de obras de valorização há muito reclamadas e que envolveram custos da ordem dos 2,5 milhões de euros.

Iniciado em 2003, o processo com vista à reabilitação do funicular - estrutura única no país, por funcionar a contrapeso, isto é, a carruagem que desce faz subir a outra - viria a ser alvo de prolongadas negociações entre os Caminhos de Ferro Portugueses e a autarquia local, que reclamava a posse do equipamento para o recuperar.

Após a transferência da propriedade do elevador para o município, em meados do ano passado, a Câmara adjudicou a sua recuperação a grupo privado (Efacec), que deverá dar os trabalhos por concluídos até princípios de Maio. Do investimento global, a autarquia desembolsa 25% dos custos, sendo a restante verba suportada por fundos comunitários fruto de candidatura formalizada pela Comunidade Urbana Valimar, em parceria com municípios galegos.

Os trabalhos, que se encontram numa fase final, compreendem a beneficiação das linhas, substituição de máquinas e carruagens e valorização dos edifícios situados na cidade e no monte de Santa Luzia, além da recuperação dos muros que ladeiam aquela via. Durante este mês, deverão ser testados tanto os novos motores como as carruagens, que permitirão o transporte de bicicletas, uma vez que o trajecto será incluído em ciclovia que ligará Santa Luzia às margens do Lima. Criado ao longo da linha será, também, um percurso pedonal.

http://jn.sapo.pt/2006/03/12/pais/elevador_a_funcionar_maio_apos_parag.html

 

Área Metropolitana do Porto: Dezenas de investimentos para 'bíblia' metropolitana

Desenvolvimento da rede do metro, construção de novas vias e alargamento da rede de saneamento são apostas da maioria dos concelhos para candidatar aos fundos comunitários

Carla Sofia Luz

A renovação e a conclusão da rede de saneamento, a despoluição de rios e de ribeiras, a construção de novas vias e o desenvolvimento da rede de transportes, com especial ênfase para a expansão da rede do metro, são quatro prioridades apontadas pela maioria dos concelhos da Área Metropolitana do Porto (AMP). A pensar nos milhões do futuro Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), que vigorará de 2007 a 2013, quase todos os municípios elencaram os projectos, que gostariam de ver contemplados com fundos comunitários para definir uma "bíblia" metropolitana.

A três dias do início das reuniões com personalidades da região (a primeira sessão será amanhã à tarde no Hotel Sheraton, sendo um dos convidados Madureira Pires, especialista em candidaturas a fundos comunitários que trabalha com países do Leste), a Junta Metropolitana congrega dezenas de propostas das câmaras, que tocam diferentes áreas desde Saúde e Mobilidade à Requalificação Urbana e Ambiente. Até Abril, ficarão definidas as prioridades da AMP.

Porto, Santa Maria da Feira, Santo Tirso, Póvoa de Varzim, Maia, S. João da Madeira, Arouca e Vila do Conde apostam na construção e na renovação das infra-estruturas de águas e saneamento. Em alguns casos, foram executadas há décadas. Na Póvoa, a necessidade é distinta.

Com a rede a servir apenas 65% do território, a vontade da autarquia é elevar esta percentagem para 95%, cobrindo na totalidade as freguesias de Nabais, Estela, Laundos, Terroso, Balazar e Rates. Na área do Ambiente, a Câmara de Vila do Conde considera determinante a despoluição dos rios Ave e Onda, a requalificação das zonas ribeirinhas e a construção do porto de recreio e da marina na área Sul da Seca do Bacalhau. A beneficiação das condições de entrada na barra e do porto de pesca integram a lista de investimentos.

Santo Tirso quer valorizar as margens do rio Ave; S. João da Madeira pretende despoluir o rio Ul; Arouca defende a protecção da serra de Freita, com a criação de equipamentos de apoio ao turismo; e a Maia projecta o arranjo das margens do rio Leça e a limpeza das linhas de água. A execução de ciclovias e percursos pedonais são outras propostas. A Câmara de Matosinhos quer consolidar os parques públicos e de concretização do parque urbano nas margens do Leça, ligando a Quinta da Conceição a Santa Cruz do Bispo.

A criação de corredores verdes, que aproximem a serra de Santa Justa dos parques municipais, e a requalificação da aldeia do Couce são prioridades em Valongo. A Câmara de Gaia aposta na execução de pequenos parques, na recuperação de áreas florestais e da serra de Canelas, enquanto estuda a reabilitação de antigas pedreiras e a erradicação dos depósitos de sucata ilegais.

Todos os concelhos insistem na melhoria da rede viária com o arranjo e construção de novas vias. A conclusão do IC24 é uma ambição que une a maioria das câmaras. Para a Feira, é fundamental concluir a rede rodoviária nacional (A32, IC24 e as ligações Feira/Arouca e Covide/Canedo) e rasgar os nós de acessos ao Europarque na A1 e A28. Mas espreita a hipótese de prolongamento da rede do metro para Sul.

O crescimento da rede do metropolitano é uma vontade que figura nos documentos de várias autarquias. Vila do Conde defende a conclusão do plano estratégico do metro no concelho. S. João da Madeira anseia pela expansão das linhas. Santo Tirso defende a ligação da linha do metro à Trofa com interface na linha ferroviária de Guimarães. Maia reclama pelo prolongamento da Linha Amarela do hospital ao Parque Maia.

Também o crescimento económico é um objectivo. Gaia almeja construir os parques empresariais de Sandim e Pedroso. Matosinhos defende a instalação da plataforma logística do Grande Porto no concelho e de um cluster de investigação ligado ao mar e o financiamento da nova marina para passageiros no porto de Leixões. Arouca ambiciona valorizar as zonas industriais e rasgar novas áreas para as indústrias. Santo Tirso, Vila do Conde, Santa Maria da Feira e S. João da Madeira desejam instalar centros de investigação, de tecnologia e de incubação de empresas.

http://jn.sapo.pt/2006/03/12/grande_porto/dezenas_investimentos_para_biblia_me.html

 

Águas do Douro e Paiva abre concurso para construção de reservatórios

Quatro milhões de euros é a base de licitação do novo concurso lançado pela Águas do Douro e Paiva (AdDP), destinado à elaboração dos projectos de execução e construção dos reservatórios da Vergada, Vila Nova e Arrifana. A empresa estima que os trabalhos se iniciem durante o mês de Maio.

O reservatório da Vergada terá uma capacidade global de 5000 metros cúbicos (m3), e ligará à adutora Vergada-Granja. Já o de Vila Nova terá uma capacidade para 6700 m3, sendo ligado à adutora Cavaco-Souto, numa extensão de 2080 metros. Por último, o reservatório da Arrifana disporá de uma capacidade global de 3800 m3.

O prazo máximo de execução é de 300 dias de calendário, com um prazo parcelar vinculativo de 45 dias para a elaboração dos projectos de execução.

O objecto de concurso inclui, nomeadamente, a elaboração dos projectos de execução dos reservatórios, trabalhos de construção civil para a sua execução em betão armado, fornecimento e montagem de tubagem e acessórios.

http://www.ambienteonline.pt/noticias/detalhes.php?id=3686

 

Primeira "Geografia de Portugal" em 50 anos

Território: especialistas voltam-se para as mudanças e dão atenção ao planeamento e ordenamento

Paulo Miguel Madeira

A primeira Geografia de Portugal do século XXI, que é também a primeira grande obra portuguesa deste tipo, dá uma atenção central às mudanças na ocupação e utilização do território, contrastando com a perspectiva tradicional, que privilegiava a identificação dos quadros mais estáveis do que permanecia para além da mudança.

Foi Carlos Alberto Medeiros, catedrático de Geografia que dirigiu esta obra em quatro volumes (cujo último volume o Círculo de Leitores deverá lançar em Maio), quem sublinhou este aspecto numa conferência esta tarde na Academia de Ciências de Lisboa, subordinada ao tema "Geografia de Portugal: Das Tentativas Iniciais à Obra Colectiva de 2005-06".

E explicou que os autores se confrontaram com uma realidade diferente, e sobretudo com uma realidade em que a mutação é uma componente central, face ao que acontecia em obras anteriores deste tipo. Exemplificou com o alargamento a leste da União Europeia e com a intensificação das relações com os países europeus, "que podem desviar o país da sua tradicional relação com as margens atlânticas".

Outro aspecto que se pode considerar revolucionário no âmbito da geografia portuguesa é o facto de o Planeamento e Ordenamento do Território assumir grande importância no conjunto de temas desenvolvidos, ocupando todo o quarto volume, coordenado pelo catedrático Jorge Gaspar e por José Manuel Simões. Esta opção está ligada à "crescente presença dos geógrafos nos estudos de planeamento e ordenamento do território", explicou o director da obra.

Por outro lado, o estudo das águas oceânicas, no primeiro volume (O Ambiente Físico, coordenado pelo catedrático António de Brum Ferreira, especialista em geografia física) é "o aspecto mais original e inovador" do trabalho. "Os mares deixaram de constituir para os geógrafos a monótona mancha azul que se vê nos mapas", disse com humor Carlos Alberto Medeiros.

No segundo volume (Sociedade, Paisagens e Cidades, coordenado por Teresa Barata Salgueiro e por João Ferrão), há um capítulo dedicado às migrações onde são abordados alguns assuntos na fronteira da sociologia, mas os três restantes dedicam-se às cidades, cujo crescimento recente é um dos aspectos mais importantes da geografia do país.

Porquê só agora?
É também "a primeira obra do género que se publica em Portugal", um trabalho vasto e ambicioso reunido um largo conjunto de autores – 29 geógrafos investigadores – e a primeira que se faz desde meados do século passado, mas com bastante mais fôlego que as obras pioneiras. "É uma obra de conjunto dos geógrafos portugueses", disse.

Carlos Alberto Medeiros (que coordenou o terceiro volume, Actividades Económicas e Espaço Geográfico) justificou esta demora com "a lenta e difícil afirmação da Geografia na universidade do nosso país". A primeira cadeira de geografia data de 1901, mas só em 1957 surgiu uma licenciatura em Geografia centrada num núcleo de cadeiras próprias.

Neste contexto, para além de algumas obras de síntese da geografia do país (por vezes por autores estrangeiros), a primeira Geografia de Portugal é de um autor alemão, Herman Lautensach, que em 1932 e em 1937 publica em alemão, respectivamente, um volume dedicado ao conjunto do país e outro às suas regiões. Só ao fim de mais de meio século foi traduzida.

Depois, Amorim Girão, professor em Coimbra, publica a sua Geografia de Portugal em 1941, "desenvolvida e profusamente ilustrada", lembrou Carlos Alberto Medeiros. E em 1945 Orlando Ribeiro publica Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, uma "síntese notável" que durante décadas foi a principal referência nas escolas portuguesas.

É ainda Orlando Ribeiro quem em 1955 publica, em castelhano, uma Geografía de Portugal, que é o Tomo V da Geografía de España y Portugal dirigida por Manuel de Terán. Desde então, apenas a Geografia de Portugal em quatro volumes, que em 1987 foi lançada com a direcção de Suzanne Daveau, que utilizou e actualizou os trabalhos de Lautensach e Orlando Ribeiro.

Assim, a Geografia de Portugal que o Círculo de Leitores está a publicar acaba por ser uma "obra pioneira no seu género", segundo o seu director. Que lembrou a intenção de Orlando Ribeiro de fazer uma obra deste tipo, para a qual chegou a fazer um plano, em 1975, mas que acabou por não desenvolver.

Carlos Alberto Medeiros realçou que esta não é uma obra de divulgação, destinando-se em primeiro lugar aos geógrafos e outros especialistas que lidam com estes assuntos. Mas disse também que se destina a um público muito mais vasto, que não prescinda do rigor científico.

09.03.2006 - 19h04 PUBLICO.PT

 

Portugal Reclama Fundos Comunitários para Minorar Efeitos da Seca

Humberto Rosa, o secretário de Estado do Ambiente, defendeu ontem, em Bruxelas, que a União Europeia (UE) deve criar, no âmbito da estratégia de prevenção contra a seca e escassez de água, mecanismos financeiros e desenvolver modelos de resposta.

Na sua intervenção no Conselho de Ministros de Ambiente, no qual Portugal e outros oito estados-membros - Espanha, Bélgica, Grécia, França, Itália, Chipre, Malta e Eslovénia - defenderam a ideia da criação de uma estratégia comunitária de prevenção e protecção contra a seca e a escassez de água, Humberto Rosa, que o Público cita, sublinhou que «se pode haver colaboração transfronteiriça e planos nacionais para cheias e situações climáticas de excesso de água, achamos razoável que também possa haver para escassez de água e é nesse sentido que lançamos a proposta».

A iniciativa passa por minimizar as consequências económicas, ambientais e sociais derivadas de situações de seca. Em concreto, a proposta deverá passar por «mecanismos da própria Comissão Europeia, inclusive financeiros, para atender a situações de dificuldade», e por «modelos de planos que cada país deva ter preparado para atender a situações de escassez», acrescentou.

Os 25 aprovaram ainda uma proposta, elaborada por Portugal e Espanha, para desenvolver uma parceria entre a União Europeia e a América Latina em matéria de tratamento de água.

Publicado em: 10-03-2006
Fonte: Público

Acerca da Cimeira

  • CIMEIRA do AMBIENTE, SEGURANÇA e QUALIDADE
  • 18-20 de Maio de 2006
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