28 abril 2006 

Quase 300 mil toneladas de resíduos aguardam solução

Ricardo David Lopes

Quase 50 anos após o arranque das primeiras centrais nucleares, cerca de 270 mil toneladas de resíduos radioactivos continuam à espera de uma solução definitiva de armazenamento. Alguns países preparam-se para fazer depósitos subterrâneos, solução que terá de estar em prática entre 2010 e 2020. Até lá, os resíduos existentes (que ocupariam uma área semelhante à de um campo de futebol com dez andares) - e os que entretanto serão produzidos, pelo menos 12 mil toneladas por ano - ficarão armazenados provisoriamente em piscinas ou em contentores à superfície.

A construção de depósitos definitivos está a ser equacionada pela Suécia, Finlândia, EUA, França e Rússia, que se ofereceu para armazenar (a troco de pagamento) resíduos de outros. Em 1998, um consórcio de petrolíferas norte-americanas (Pangea Resources) iniciou negociações com o Governo australiano para a construção de um depósito capaz de acolher 80 mil toneladas de resíduos, mas, como o Parlamento inviabilizou a proposta, a intenção está em "banho-maria".

A escolha dos locais é complexa, não só porque em regra as populações não querem "lixo nuclear" no seu subsolo, mas sobretudo porque os depósitos - galerias a 500 ou mais metros de profundidade, acessíveis e monitorizáveis a partir da superfície - têm de ficar "em locais geologicamente estáveis e com pouca circulação de água", sublinha António Fiúza. Segundo o responsável pelo Centro de Investigação Geo-Ambiental e Recursos da Faculdade de Engenharia do Porto, "não há registo de acidentes" ou fugas ligadas aos depósitos provisórios, mas o problema terá de ser resolvido, pois está a acabar o prazo em que os resíduos podem ficar à superfície.

Há dois processos para tratá-los num, o material é reprocessado (caso dos EUA, Suécia ou Finlândia), permitindo que parte seja reutilizada; no outro, tudo é directamente armazenado. Segundo o especialista, actualmente apenas três mil toneladas são reprocessadas por ano, pois o processo "é mais dispendioso". A quantidade de resíduos gerados numa central depende da sua potência eléctrica. Uma antiga, com 1000 MW, por exemplo, precisa de 100 toneladas de urânio, dos quais 1/3 é substituído anualmente. Numa mais moderna (como a que Monteiro de Barros quer fazer, com 1600 MW), as necessidades rondam as 125 toneladas, sendo também um terço substituído anualmente.

Como se tratam os resíduos? Na maior parte dos casos, são postos em piscinas, onde arrefecem cerca de um ano, findo o qual perderam até 90% da radioactividade. Depois, explica Fiúza, são vitrificados e encerrados em contentores de aço inoxidável (as infiltrações de água são um risco, pois pode haver contaminação de aquíferos que abastecem as redes de água).

"Nos contentores, podem ficar cerca de 40 anos, altura em que a radiaoctividade decaiu para 0,1% da original, que ainda é nociva" para a saúde humana. "É por isso que tem de ser encontrada uma solução. Os 40 anos estão a acabar", sublinha. Depois de posto em novos contentores - a colocar nos depósitos definitivos, quando estiverem feitos -, o material ficará depositado cerca de mil anos.

E quem paga a construção destes reservatórios? Nos EUA e a França, por exemplo, a factura eléctrica inclui 0,1 cêntimos e 0,14 cêntimos, respectivamente, por kilowatt-hora consumido. Não há ainda uma solução universal. Em Espanha, o Governo anunciou que até 2020 deverá ser construído um reservatório definitivo, mas ainda se desconhecem os custos e a localização. Se Portugal tiver uma central, terá de pensar também numa solução. No entanto, garante Sampaio Nunes, consultor do projecto de Monteiro de Barros, "97% do material será reciclado".

O armazenamento definitivo é a solução defendida pela Quercus, que alerta, contudo, para os riscos associados ao transporte do material radioactivo das centrais para onde é guardado ou, eventualmente, reprocessado.

270 mil toneladas
Quantidade de resíduos produzida desde o arranque das primeiras centrais nucleares com fins comerciais. Se se pudesse juntar, este material ocuparia uma área semelhante à de um campo de futebol com a altura de um prédio de dez andares. A estes resíduos somam-se os que foram produzidos no âmbito de utilizações militares, sobre os quais não há dados oficiais.

12 mil toneladas
Quantidade produzida anualmente, em média, pelos cerca de 440 reactores existentes. Os mais modernos gastam, em termos relativos, menos urânio para gerar a mesma potência.

0,1 por cento
Quantidade de material radioactivo que resta ao fim de 40 anos de armazenamento de resíduos em depósitos provisórios. Ainda assim, este nível de radioactividade contunua a ser nocivo para a saúde humana.

1000 anos
Período previsto para o armazenamento definitivo dos resíduos, em contentores, colocados em galerias com 500 e mais metros de profundidade. Os locais têm de ser geologicamente estáveis e preferencialmente sem circulação de água, que poderia acelerar a corrosão do material dos contentores, levando à contaminação de aquíferos.

http://jn.sapo.pt/2006/04/22/sociedade_e_vida/quase_mil_toneladas_residuos_aguarda.html

 

Projecto da Bouça concluído

O Conjunto Habitacional da Bouça vai ser inaugurado na próxima terça-feira. Os proprietários das 72 novas casas desenhadas pelo arquitecto Siza Vieira vão iniciar o processo de escritura, pondo um ponto final num projecto que se iniciou no final da década de 70.

Patrícia Gonçalves
Quase três décadas após o arranque do projecto, o Complexo Habitacional da Bouça está, finalmente, concluído. A inauguração, segundo soube o JANEIRO, será feita na próxima terça-feira, dia 25, data da Revolução da Abril, ou não estivesse na génese deste empreendimento o processo SAAL – Serviço de Apoio Ambulatório –, criado nessa época para intervir na área da habitação social, mas cujas brigadas acabaram por ter um fim em 1976.

O projecto inacabado, concebido pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira, levou 26 anos a ser reatado e, depois disso, pouco mais de dois anos a ser concluído. Finalmente, congratula-se o presidente da Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica (Fenache), Guilherme Vilaverde, “podemos dar início às escritura das 72 novas habitações e proceder à entrega de chaves”. Um processo que, aliás, se iniciará ainda durante esta semana, uma vez que já estão escolhidos os candidatos, e que se prolongará nas próximas. De qualquer das formas, confirmou em declarações ao JANEIRO, “o dia 25 de Abril servirá para assinalar a inauguração do complexo”.A cerimónia terá lugar cerca de quatro meses após a data inicialmente prevista.

Guilherme Vilaverde admitiu uma “pequena derrapagem” nos prazos e nos custos da empreitada, justificando-os com o facto de “ter havido necessidade de fazer algumas alterações nos detalhes construtivos”. Além disso, os trabalhos decorreram num local onde já habitavam 56 famílias e cujos fogos – da primeira fase do projecto – também foram alvos de intervenção. “Nestas condições, é perfeitamente normal haver alguns atrasos”, desvalorizou.

Adaptações
Apesar de obedecer ao princípio arquitectónico de Siza Vieira, o projecto sofreu os ajustes necessários para se adaptar ao século XXI. Os 72 novos fogos construídos de raiz são de tipologia e organização idêntica aos já existentes, em dois duplex, com acesso director do exterior às habitações inferiores e por galerias às superiores. Além disso, não se esqueceu a requalificação das 56 habitações existentes e que, para além da degradação normal do tempo, tiveram de sofrer algumas alterações, fruto do abandono a que estiveram votadas antes de serem ocupadas pelas famílias. O objectivo foi dar as mesmas condições de habitabilidade a todo o complexo.

Diferente é a questão do estacionamento. A partir de agora, as 128 famílias passam a ter direito a lugares de garagem privativo, com arrumos, construídas no subterrâneo. A par da habitação, nasceram também equipamentos sociais e de comércio. Um ATL, um edifício para a sede social da Associação de Águas Férreas e cinco estabelecimentos comerciais: um espaço para café e quatro lojas. Tudo pronto, para uma nova vida na zona da Rua da Boavista.

Custo
Entre 70 a 80 mil eurosA conclusão do Complexo Ha-bitacional da Bouça foi financiada pelo Instituto Nacional de Habitação, tendo o investimento excedido “em cerca de cinco por cento” os seis milhões de euros orçamentados, segundo o presidente da Fenache, Guilherme Vilaverde. Construído no âmbito de uma política de custos controlados, o preço das 72 novas habitações, de acordo com os números avançados pelo responsável em declarações ao JANEIRO, podem variar entre os 70 e os 80 mil euros. Ou seja, ainda em moeda antiga, entre 14 e 16 mil contos. As tipologias podem variar entre um T2 e um T5, mas segundo os valores de venda finais previstos em 2004, um T5 com cerca de 162 metros quadrados poderia chegar aos 123 mil euros. Os novos proprietários sócios da Cooperativa de Habitação e Construção Águas Férreas.

http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=eccbc87e4b5ce2fe28308fd9f2a7baf3&subsec=&id=d19d0de2b4d2be877c5554ab310f7da4

 

Projecto inédito de habitação sustentável nasce em Leça do Balio

Um empreendimento de habitação sustentável está a surgir em Leça do Balio. Trata-se de uma iniciativa inédita em Portugal que nasceu da união de esforços das cooperativas Nortecoope, Sete Bicas e CETA. O projecto foi apresentado no passado sábado.

Eduardo Coelho

O secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, João Ferrão, presidiu, no sábado, à apresentação de um projecto de habitação sustentável. Trata-se de um projecto inédito que está a ser construído em Leça do Balio.

O aproveitamento da água da chuva para abastecimento doméstico e a utilização de painéis solares para reduzir o consumo energético são algumas características desta iniciativa, por muitos considerado como a “habitação do futuro”. Refira-se que os princípios defendidos neste projecto apenas foram publicados em Diário da República do passado dia 4 de Abril.

Refira-se que a iniciativa agora apresentada contou com o apoio técnico da Universidade de Atenas (Grécia) e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, além de instituições de Portugal, França, Dinamarca e Grécia.

Processo
Em nome das cooperativas promotoras, Guilherme Vilaverde recordou que o processo de implantação do projecto que agora está em fase de conclusão não foi uma tarefa fácil, já que sendo um processo novo não foi bem aceite por alguns dos cooperantes.

Durante a sua intervenção, o também presidente da Federação Nacional das Cooperativas de Habitação salientou o papel de todos os envolvidos e em particular o Instituto Nacional de Habitação por este ter baixado em 0,5 por cento a taxa aplicada a este tipo de iniciativas.

Guilherme Pinto salientou o papel desempenhado pelo movimento cooperativo no desenvolvimento do concelho, razão pela qual se torna necessário fazer uma carta com os diversos empreendimentos dispersos pelo concelho.

Quanto às habitações de Leça do Balio, o presidente da câmara salientou a necessidade das mesmas serem acompanhadas com uma nova centralidade e uma requalificação do espaço envolvente.

Incentivos
“Todos os promotores devem cumprir a construção sustentável. A câmara municipal deverá colaborar nesse sentido, nomeadamente através de incentivos e redução de taxas”, concluiu.

João Ferrão referiu, na sua intervenção estarmos perante uma das prioridades do Executivo de José Sócrates, reconhecendo, no entanto, o facto do movimento cooperativo já estar à frente da iniciativa.
“A nossa aposta vai no sentido de aproveitar o próximo Quadro Comunitário de Apoio entre 2007 e 2013 para que este seja um estímulo à construção sustentável”, acrescentou o membro do Governo.

http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=182be0c5cdcd5072bb1864cdee4d3d6e&subsec=&id=624a725466c870d3c212719e57aa5122

 

Lamego: Serra das Meadas assina protocolo com Parque Biológica de Gaia. Parque vai ser melhorado

O Parque Biológico da Serra das Meadas assinou um protocolo de colaboração com o Parque Biológico de Gaia, intensificando assim as medidas que lhe permitirão obter o licenciamento. Assim, do parque de Gaia espera-se uma colaboração ao nível técnico e científico.

O Parque Biológico da Serra das Meadas, uma área de 50 hectares no concelho de Lamego, vai ser melhorado ao abrigo de um protocolo de colaboração celebrado com o congénere de Gaia.

O presidente da Câmara de Lamego, Francisco Lopes, disse à agência Lusa que o Parque Biológico de Gaia irá colaborar a nível técnico, científico e logístico na criação “das condições necessárias para o licenciamento do parque biológico da Serra das Meadas e definição do seu futuro”. “Tivemos uma inspecção e foram detectadas várias situações que não estavam em conformidade com a lei. Por outro lado, queremos desenvolver um projecto de futuro, sabendo, nomeadamente, a quem se dirigirá”, referiu o autarca, considerando que “se as escolas são elementos importantes em termos de visitas, também o serão outros estratos da população”.

O parque biológico de Gaia, que conta com uma experiência de 25 anos, comprometeu-se a apresentar um projecto no prazo de meio ano, dando depois apoio à execução da obra e colaboração técnica, acrescentou.

Francisco Lopes referiu que os estudos estão orçados em 30 mil euros, mas disse não conseguir fazer uma estimativa do valor dos melhoramentos necessários.

O Parque Biológico da Serra das Meadas abriu em 2001 e, segundo o autarca, “está muito bem arborizado, com floresta autóctone, e tem uma fauna que inclui veados, javalis e aves diversas, nomeadamente de rapina”. No entanto, durante a inspecção que lhe foi realizada foram detectados alguns problemas “ao nível da segurança e saúde dos animais e também dos equipamentos de apoio aos visitantes”, acrescentou. Francisco Lopes explicou à Lusa que o parque terá de passar a ter instalações destinadas aos visitantes, nomeadamente uma sala pedagógica, sanitários e um bar.

Por outro lado “só tem uma construção de apoio à alimentação e maneio dos animais, faltando-lhe, por exemplo, salas de quarentena para o caso do doenças”, acrescentou. Atendendo às características específicas da fauna e flora do parque, o autarca gostaria que este prosseguisse “objectivos pedagógicos” e que quem visita Lamego o incluísse no seu roteiro. Gostaria também de integrar uma rede de parques biológicos para que, por exemplo, “os alunos das escolas de Vila Nova de Gaia ou de Vinhais não fossem apenas visitar os parques das suas terras, mas também o de Lamego”.

http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=e4da3b7fbbce2345d7772b0674a318d5&subsec=&id=4805b26a2fb0f6f7383b591a72887290

 

Parceiros do Programa Viv’A Baixa participam na reabilitação da primeira obra da SRU

Através do Programa Viv’A Baixa, a Loja da Reabilitação oferece aos interessados na recuperação de prédios degradados situados na Zona de Intervenção Prioritária, uma carteira de prestadores de serviços e de fornecedores de materiais de construção, em condições vantajosas.

Desta forma, o Programa Viv’A Baixa conta com um total de 16 parceiros. São eles: PT Comunicações, Portgás, Marilina (tintas e vernizes), Jansen (caixilharias de aço), Flexilam (estruturas de madeira), Hermética (caixilharias de PVC), HTH (móveis de cozinha), Iberlim (tintas e vernizes anti-graffiti), Tectum (estruturas e componentes para coberturas), Mesquita (madeiras e carpintarias), Metahouse (estruturas metálicas), Roca (peças sanitárias e torneiras), Novinco (sub telha e telhas), Weber (argamassas), Schindler (elevadores) e Vulcano (caldeiras e radiadores).

O primeiro prédio a beneficiar das vantagens oferecidas pelo programa foi precisamente o edifício pertencente à Porto Vivo, SRU, localizado na Rua das Flores e cuja conclusão das obras está prevista para breve.

Quase todos os parceiros foram desafiados a participar activamente na obra, nomeadamente a empresa Schindler com o fornecimento gracioso de um elevador, a Weber com a oferta de colas, vedantes e argamassas, a Portugal Telecom com a instalação e o fornecimento gratuito de equipamento de telecomunicações de última geração, a Portgás que cedeu válvulas de segurança e de corte e, por último, a empresa Marilina que forneceu tintas e vernizes.

O montante destas contribuições em materiais diversos por parte da Schindler, Weber, PT, Portgás e Marilina representa um investimento de cerca de 80 mil euros. Esta primeira obra de reabilitação promovida e inteiramente financiada pela Porto Vivo, SRU pretende mostrar o exemplo, bem como servir de modelo e incentivo para todos os que tenham projectos de reconstrução de edifícios no Centro Histórica e na Baixa Portuense.

2006-02-16

Acerca da Cimeira

  • CIMEIRA do AMBIENTE, SEGURANÇA e QUALIDADE
  • 18-20 de Maio de 2006
  • EXPONOR - Feira Internacional do Porto
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